IFPA garante seis medalhas de ouro em Olimpíada Brasileira de Geoinformação
Buscando apresentar soluções para os desafios climáticos e a preservação ambiental, estudantes do Instituto Federal do Pará (IFPA), dos campi Belém, Castanhal e Itaituba, realizaram pesquisas, foram a campo, coletaram dados e registros fotográficos e apresentaram propostas reais para os problemas identificados em seus municípios. Toda essa dedicação garantiu seis medalhas de ouro, três de prata, cinco de bronze e três menções honrosas na Olimpíada Brasileira de Geoinformação (OBG), edição 2025. O resultado foi publicado em 17 de dezembro, e as medalhas serão entregues agora em janeiro pela comissão organizadora.
A Olimpíada desafiou os estudantes a apresentar propostas para solucionar problemas socioambientais identificados em seu bairro ou cidade. O tema desta edição foi “Problemas socioambientais: análise e soluções por meio da geoinformação”. A competição é coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
As atividades foram desenvolvidas no contexto das aulas de Geografia. Os estudantes eram estimulados a desenvolver raciocínio espacial e a utilizar geotecnologias para a obtenção de imagens e dados que serviram de base para análises e interpretações, com o auxílio de ferramentas digitais.
Os estudantes foram orientados pelos professores de seus respectivos campi: Tatiana Pará, campus Belém; Wellingtton Augusto Andrade, campus Castanhal; e Josiclaudio Pereira de Freitas, campus Itaituba. O destaque foi o campus Itaituba, com quatro medalhas de ouro, três de prata, uma de bronze e uma menção honrosa. O campus Belém garantiu duas medalhas de ouro e uma de bronze. Já o campus Castanhal conquistou três medalhas de bronze e duas menções honrosas.
Opiniões
Para o professor das disciplinas de Geoprocessamento e Topografia do IFPA Itaituba, Josiclaudio Pereira de Freitas, a Olimpíada de Geoinformação é importante por inserir os estudantes paraenses em um cenário nacional, permitindo mostrar que as escolas do Norte têm capacidade de formar com excelência. “As habilidades desenvolvidas nessa olimpíada envolvem noções do espaço geográfico, compreensão das dificuldades regionais, uso de tecnologia para solucionar problemas complexos, criatividade e conscientização ambiental”, esclarece.
“Nosso desempenho me surpreendeu bastante, pois tivemos apenas uma semana para preparar as propostas. Foi uma corrida contra o tempo, mas conseguimos oito medalhas e uma menção honrosa. Foi muito gratificante! Considero o ápice da minha carreira como professor, já que estou na área há menos de dois anos”, comemora o professor Josiclaudio.
A professora do IFPA Belém, Tatiana Pará Monteiro de Freitas, comenta que o diferencial da Olimpíada de Geoinformação é a possibilidade de os estudantes se debruçarem sobre a proposição de soluções para problemas reais. “Os alunos tiveram que usar software para elaborar mapas com soluções para os problemas que enfrentavam. Também precisaram utilizar inteligência artificial para criar um cenário futuro”, detalha.
Para o estudante do curso de Agroecologia do IFPA Itaituba, Jean Araújo de Moraes, 17 anos, medalhista de ouro na Olimpíada de Geoinformação, essa foi uma experiência muito diferente das outras competições das quais já havia participado. Ele explica que as atividades aconteceram em duas etapas, ambas realizadas de forma on-line. A primeira etapa ocorreu entre os dias 15 de setembro e 24 de outubro. “Nessa fase, fizemos uma pesquisa sobre o tema do projeto, organizamos as informações, digitalizamos os dados e submetemos o trabalho”. Jean conta que soube da Olimpíada quase uma semana antes do prazo de encerramento da primeira etapa. “Mesmo com o pouco tempo disponível, conseguimos organizar tudo e entregar o trabalho dentro do prazo”, explica.
A segunda etapa ocorreu entre os dias 12 e 28 de novembro e exigiu maior dedicação de todos. “Tivemos que identificar um problema real, mapear a área estudada, realizar análises mais detalhadas e propor uma solução com o uso de geoinformação e inteligência artificial. Mesmo sendo uma Olimpíada on-line, fomos a campo, visitamos o local citado no projeto, tiramos fotos e observamos a realidade da área, o que tornou o trabalho muito mais prático”, detalha Jean Araújo.
“O grande diferencial dessa Olimpíada em relação a outras foi justamente a integração entre teoria e prática. Não ficamos apenas na sala de aula ou na pesquisa teórica, mas tivemos contato direto com o local estudado, o que deixou a experiência mais dinâmica e próxima da realidade”, relata Jean Araújo.
O projeto desenvolvido por Jean Araújo tratou do dimensionamento da Área de Preservação Permanente do rio Piracanã. A solução apresentada foi a criação de um parque municipal em Itaituba (PA) para proteger o rio. No local, a degradação ambiental da Área de Preservação Permanente (APP) foi o principal problema identificado. A visita a campo permitiu perceber que a vegetação ciliar foi retirada, que ocorriam ocupações irregulares, poluição da água e falta de planejamento urbano. Jean Araújo propôs a delimitação correta da APP com o uso de geotecnologias, a recuperação da vegetação nativa e a criação de um parque municipal, unindo preservação ambiental, lazer e educação ambiental.
“A parte mais desafiadora para mim foi a segunda etapa, pois precisei aprofundar bastante a pesquisa e organizar todas as informações do projeto. No entanto, foi também a etapa de que mais gostei e na qual mais aprendi”, conclui Jean Araújo.
Para a medalhista de ouro do curso Técnico em Saneamento do IFPA Belém, Ana Beatriz da Costa Ribeiro, 17 anos, a Olimpíada foi uma experiência ótima. Ela explica que fez uma redação na primeira etapa e, na segunda etapa, foi a campo para mapear os problemas socioambientais identificados em Belém no texto que havia produzido. Ela utilizou o Story Map para mostrar os locais onde as problemáticas descritas na prova ocorriam. “Mapeei pontos da cidade de Belém que apresentam problemas com o gerenciamento de resíduos sólidos”.
“Gostei de participar dessa Olimpíada, pois pude aprender mais e ter uma noção maior de como a falta de gerenciamento adequado dos resíduos sólidos afeta os moradores de Belém e da região metropolitana”, declara Ana Beatriz.
Outra medalhista, a estudante do curso Técnico em Agropecuária do campus Castanhal, Jammily Kathryn Amorim França, 17 anos, relata que soube da competição por meio do professor de Geoprocessamento e se interessou pela oportunidade de aprendizado. “É uma forma de adquirir mais conhecimento e conhecer algo novo. Além disso, pude falar um pouco sobre a realidade do meu município”.
Para Jammily, as orientações do professor foram muito importantes. “Ele deu incentivo e o apoio necessário durante as atividades, já que algumas partes exigiam acompanhamento”. Sobre a medalha de bronze que conquistou, explica que foi uma emoção muito grande. “Foi algo marcante, trouxe aprendizado e formas de interpretar e solucionar problemas que afetam o meio social e pessoal”.
Confira os medalhistas do IFPA na Olimpíada
IFPA campus Belém
Coordenadora: Tatiana Pará
Ana Beatriz da Costa Ribeiro – 2º ano do E. M. Técnico em Saneamento – Ouro
Riquelme Brito Alves – 2º ano do E. M. Técnico em Saneamento – Ouro
Deivison Jeziel de Carvalho Nogueira – 3º ano do E. M. Técnico em Telecomunicações – Bronze
IFPA campus Castanhal
Coordenador: Wellingtton Augusto Andrade
Endrea Nicole Rodrigues da Silva – 3º ano do E. M. T. Integrado em Agropecuária – Bronze
Mayelly Jectro de Souza Vasconcelos – 3º ano do E. M. T. Integrado em Agropecuária – Bronze
Jammily Kathryn Amorim França – 3º ano do E. M. T. Integrado em Agropecuária – Bronze
Vanessa Pereira de Oliveira – 3º ano do E. M. T. Integrado em Agropecuária – Menção Honrosa
Arthur José Moura Mendes – 3º ano do E. M. T. Integrado em Agropecuária – Menção Honrosa
IFPA campus Itaituba
Coordenador: Josiclaudio Pereira de Freitas
Antonio Gralak Neto – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Ouro
Jean de Araújo Moraes – 2º ano do E. M. Técnico em Agroecologia – Ouro
Maria Fernanda da Silva Freitas – 2º ano do E. M. Técnico em Agroecologia – Ouro
Liracilda Vitória de Carvalho dos Santos – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Ouro
Pâmela Eloá Cardoso Ferreira – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Prata
Bruna Maria Bezerra de Souza – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Prata
Suzany Lima Pinheiro – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Prata
Dayan Nogueira Henriques – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Bronze
Juliana de Andrade Barros – 2º ano do E. M. Técnico em Edificações – Menção Honrosa
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