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Projeto desenvolvido por alunos do IFPA é selecionado pelo Programa Ecomudança do Itaú

  • Publicado: Quinta, 28 de Dezembro de 2017, 16h23
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Além de aprender e buscar uma formação, ajudar a comunidade e procurar soluções para os problemas vividos por ela. Podemos dizer que esse é o principal ponto que uniu os alunos Nedilson Aquino Pinheiro, Luiz Antônio Corrêa Ferreira e Anacleto Pantoja Quaresma. Os três são de Igarapé Mirí, filhos de agricultores e alunos recém-formados do curso Técnico em Agropecuária PROEJA do IFPA Campus Castanhal.

Por meio da Cooperativa do Desenvolvimento do Município de Igarapé Mirí (CODEMI), da qual fazem parte, e tendo no IFPA o suporte, encontraram no edital do Programa Ecomudança do Banco Itaú uma oportunidade de propor alternativas para as problemáticas vistas nas comunidades durante o período de estágio do curso.

Justamente por integrarem a Cooperativa, que contribuiu para o ingresso dos alunos no IFPA, Luiz Antônio comenta que o “objetivo hoje é retribuir de alguma forma para a comunidade, trabalhar com projetos que tivessem retorno não só para o empreendimento, mas pra comunidade. O município de Igarapé Mirí é voltado principalmente para cultura do açaí, tem outras, mas não tem um nível de sustentabilidade para os produtores… a gente sabe que de julho a dezembro há uma sustentabilidade por conta da cultura do açaí, e de janeiro a junho nós temos uma deficiência. A partir daí a gente tentou buscar uma solução para esses problemas, que foi elaborar o projeto e dar continuidade a outros, para diversificar as áreas”.

A partir dessas deficiências, Nedilson explica que os três viram que “tinha potencial, que poderia estar trabalhando com a questão de qualidade da piscicultura, da avicultura, principalmente com a galinha caipira, da horta, melhoria na produção da mandioca... e em todos os cantos diretamente os sistemas agroflorestais (SAF)”.

 

Sobre o projeto elaborado pelos alunos

 

Toda essa vivência na comunidade serviu de inspiração para a ideia do projeto. “Como o município tem muitas áreas ociosas, então pensar um projeto que venha preencher essas áreas e venha dar uma sustentabilidade melhor, diversificar a produção. Nesse momento a gente achou a questão do banco Itaú e mergulhamos de cabeça pra tentar conseguir, porque a gente sabe que o município precisa dessas políticas para poder avançar. A gente achou a necessidade de implantar o projeto, que daqui uns anos possa tá garantindo melhor qualidade de vida pras pessoas”, esclarece Anacleto.

Sobre o processo de elaboração e participação na seleção, Nedilson fala que “o contato com o edital foi num tempo muito curto, a gente não teve tempo de reunir com direção da cooperativa, muito menos com os sócios, a gente falou do edital aberto, aí nos deram carta branca pra fazer o projeto, também falando de que conhecíamos a realidade e as dificuldades. Escrevemos o projeto em pouco tempo, depois de escrito e enviado, passamos pela primeira fase, passamos da segunda e a gente viu que precisava ter contato pra entender o que a gente tava tentando aprovar. Fomos num primeiro momento com os coordenadores do empreendimento, explicamos o projeto, depois de uma primeira reunião, fizeram a reunião maior com o público que seria beneficiado, pra eles entenderem o que estávamos fazendo”.

Anacleto fala que eram 1200 projetos inscritos de todo país, sendo que para a segunda fase classificaram-se 30. Na semifinal, participaram 15 propostas e destes seriam selecionados de 6 a 9 projetos, dependendo muito da quantidade de recursos disponíveis. No final, dentre os 9 finalistas, o projeto ainda foi classificado como o primeiro lugar da seleção.

Como explica Luiz, o projeto vai inicialmente beneficiar 20 famílias do município. Durante todo o processo, há a proposta de cursos de qualificação sobre os sistemas agroflorestais e agroecologia, a implantação de unidades demonstrativas em áreas de meio hectare nas propriedades, que servirá de modelo do que vai ser implantado, e por fim, a implantação de um viveiro de mudas de espécies florestais e frutíferas, dependendo da opção dos agricultores participantes.

Os três ainda falam que ao final do ciclo do projeto, vai ser reflorestada uma área de no mínimo 10 hectares, porque são 20 famílias beneficiadas diretamente. O projeto tem um ano de duração, sendo que em um primeiro momento não vai ter como essa muda dar um lucro financeiro, porque tem o tempo de desenvolvimento necessário de cada espécie.

“A implantação do projeto vai ter a duração de um ano, mas o viveiro e toda a proposta vai continuar e será aproveitada pela cooperativa nos próximos anos”, reforça Nedilson.

A professora Regiara Croelhas Modesto, orientadora do projeto, fala que esse resultado proporciona uma satisfação muito grande. “Eles são da turma do PROEJA, com a alternância pedagógica, e no tempo comunidade eles iam direto pros empreendimentos, então eles tiveram vários tempos comunidades com esse contato, aí fica fácil esse contato com a realidade deles. Eu sou professora de extensão rural dos cursos técnicos integrado, subsequente, do nível superior e do PROEJA. É muito diferente dar aula pro PROEJA, porque eles já trazem as perguntas prontas do dia a dia, as inquietações, eles são os agricultores, eles trabalham extensão. Me sinto muito orgulhosa e muito feliz com o resultado, vendo que eles já saem do curso com um resultado concreto que é fortalecer o empreendimento deles... a organização social que possibilitou eles estarem aqui está sendo fortalecida pelos jovens que eles trouxeram pra cá pra formar”.

Esse reconhecimento, segundo Anacleto, também é um presente, porque “a gente sair de um curso desses e levando algo assim favorável, já leva um legado pros nossos empreendimentos, para o município. A gente sabe que muitos alunos vão pra uma empresa, mas o nosso empreendimento é muito voltado pra nossa realidade, acho muito gratificante porque a gente veio pra cá com um objetivo e acabamos vendo no decorrer do curso que era possível nós voltarmos e poder contribuir ainda mais”.

Além de referência, a conquista também serve para estimular a busca por novas oportunidades. Como fala Nedilson, “nós somos filhos, somos agricultores, a gente sair e voltar com um retorno desses, mostra que é possível, que se a gente conseguiu eles conseguem também e talvez as dificuldades que passamos quem sabe eles não precisem passar, eles vão ter a gente pra apoiar, pra ajudar. A gente quer levar isso pra futuramente ter mais jovens de Igarapé Mirí aqui dentro, filhos de agricultores, mostrar que há uma outra forma de viver na propriedade, vivendo bem, respeitando a natureza, respeitando os princípios, a cultura. É algo muito social isso, é além de ser um técnico em agropecuária mas existe algo maior que isso, é o que a gente vai tentar levar e mostrar pros outros jovens da comunidade.

Nedilson finaliza ainda salientando que a classificação no concurso “não vai ser uma vitória da CODEMI, de nós três aqui, é uma vitória nossa, do IFPA. É uma raiz que está sendo plantada lá, mas a árvore está aqui… é buscar parcerias no futuro e espalhar a ideia pra outros lugares”.

 

O Programa Ecomudança

 

O objetivo principal do Programa Ecomudança é fomentar iniciativas que ajudam a reduzir os impactos das mudanças no clima. Para tanto, apoia projetos inovadores, de impacto positivo e transformador nas modalidades de Eficiência Hídrica, Eficiência Energética, Manejo de Resíduos, Floresta, Agricultura Sustentável e Mobilidade.

O Programa faz parte da estratégia do banco Itaú de oferecer fundos de investimentos que contribuam com as mudanças na sociedade, revertendo taxas de administração para organizações responsáveis por projetos com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa ou com foco na redução da pegada hídrica, que tenham alto potencial de replicabilidade e que possam gerar renda para se manterem financeiramente a longo prazo.

Desde a sua criação em 2009, o Programa já contribuiu para a redução de aproximadamente 22.000 t/CO2 de Gases do Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, e investiu cerca de R$ 5,3 milhões em um total de 46 projetos, em 19 estados do Brasil.

Segundo o edital, os projetos inscritos no Programa Ecomudança passam por quatro etapas de avaliação:

1) Triagem das inscrições, quando é feita a verificação do atendimento às exigências do edital.

2) Seleção dos projetos finalistas, sendo necessário às organizações habilitadas enviar informações adicionais (solicitadas e avaliadas pela Comissão de Análise Técnica do Programa Ecomudança em seu devido tempo), que abrangem os seguintes aspectos como Potencial de redução de GEE do projeto, Capacidade de realização do projeto pela organização com sucesso, Capacidade de replicação do projeto, Capacidade de o projeto gerar outros impactos socioambientais positivos.

3) Visitas técnicas às organizações semifinalistas e escolha dos projetos finalistas pela Comissão de Análise Técnica, para produção de relatório com justificativas que confirmem a indicação dos projetos, bem como com dados adicionais que sirvam como subsídios para a avaliação do Conselho Consultivo do Programa Ecomudança.

4) Seleção final dos projetos: os projetos indicados pelas organizações finalistas são avaliados pelo Conselho Consultivo do Programa Ecomudança, formado por representantes do Itaú, por especialistas em sustentabilidade, por empresas do mercado e por representantes de instituições relacionadas ao tema dos projetos.

 

Texto: Rossana Enninger - ASCOM IFPA Campus Castanhal

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